Por: Vitor Yano – Pré-vestibular

Segundo o psicólogo Lev Vygotsky, a linguagem exerce um papel fundamental no aprimoramento do pensamento racional ao longo do desenvolvimento cognitivo dos seres humanos. A leitura de obras clássicas no Ensino Médio, dessa maneira, é uma experiência altamente enriquecedora, visto que amplia a capacidade linguística e crítica dos
brasileiros. Entretanto, as dificuldades a serem transpostas para a leitura de clássicos promovem antagonismos por parte dos mais jovens em relação a essa obrigatoriedade. Caso ocorra a perda desse conteúdo, no entanto, a
juventude nacional estaria sendo privada de um grande estímulo às leituras mais refinadas.
Urge ressaltar, desse modo, as incompatibilidades existentes entre a capacidade das novas gerações com as demandas da literatura clássica, especialmente no âmbito da cultura e da educação nacional. Isso porque, culturalmente, essa falta de correspondência se relaciona à instantaneidade promovida pelas tecnologias da sociedade atual – as quais envolvem a juventude em formas de entretenimento de gratificação imediata e intensa de prazeres -, o que nem sempre ocorre com os livros. Ademais, em termos educacionais, a deficiência na capacidade linguística e a falta de um hábito de leitura, comumente observado nos jovens do país, são os motivos da dificuldades no aproveitamento de obras mais sofisticadas.
Desse ponto de vista, diante da questão da necessidade de adequação do público infanto-juvenil ao estudo literário, compreende-se a necessidade de um maior desenvolvimento das habilidades de leitura das gerações mais novas e não o alijamento dos grandes nomes da Literatura das grades curriculares do Ensino Médio. Assim, conforme o pensamento do filósofo Iluminista Jean-Jacques Rousseau, em sua obra “Emílio”, caberia em cada etapa da juventude o desenvolvimento de uma competência específica de leitura, segundo as capacidades e as exigências de cada faixa etária.
Nesse viés, no lugar da retirada da Literatura Clássica do ensino regular, seria mais cabível a inclusão de livros gradativamente mais sofisticados ao longo do aprendizado escolar. Dessa forma, a carência do aproveitamento
dessas obras, que recorrentemente serve de motivação para a contestação da permanência das obras clássicas nas grades curriculares, poder-se-ia ser suplementada não pela simplificação dos conteúdos escolares, mas, sim,
pelo promoção de indivíduos mais competentes linguisticamente e nos seus desenvolvidos sensos críticos para enfrentar tais leituras.