Charles Niwrad era um adolescente problemático. Sofria de psicopatia e, desde os 13 anos, adotava animais de rua para fazê-los lutar até a morte. Aos 16 anos, foi convidado a trabalhar como aprendiz lá no laboratório mais renomado do estado.
Porém, isso apenas facilitou o sonho do garoto: lutas de animais grandes. Como o laboratório tinha um galpão abandonado e ficaria próximo do zoológico, Charles teria acesso ilimitado à tecnologia e animais roubados.
Na sua segunda semana de trabalho, à noite, invadiu o zoológico e roubou um filhote de tigre, um filhote de urso–pardo e um filhote de puma.
Como tinha a chave do laboratório, não foi difícil entrar na ala de genética. Só o que ele precisava era sangue de cada espécie. Na madrugada, devolveu os animais ao zoológico para não suspeitarem dele.
Então, todas as noites ele trabalhava no animal. Depois de um mês de trabalho, o embrião estava pronto. Foram necessários mais dois anos e meio para a fera, sem nome, nascer e atingir seu tamanho máximo. As lutas sempre eram vencidas pelo animal. Todas as batalhas lhe renderam grandes cicatrizes.
Certo dia, Charles esqueceu de alimentar seu monstro. O animal, grande e forte como um urso, rápido como um puma de cor marrom escuro e listras e pontos enegrecidos em sua pelagem, destruiu sua jaula a mordidas e cabeçadas.
Ao amanhecer, todos os cientistas e aprendizes estavam na escola, exceto Charles que estava no moinho de vento da cidade, duas quadras de distância do laboratório.
Quando um certo aprendiz do instituto de ciências ouviu um barulho semelhante a um trovão no galpão, decidiu verificar. Ao abrir a porta, a abominação o atacou furiosamente, instalando o pânico no lugar. Porém, aquilo não atacou ninguém mais, pelo contrário, fugiu do laboratório em alta velocidade. O controle animal da cidade não o alcançou e a fera os despistou.
Ao anoitecer, Charles notou que havia esquecido sua mochila no parque, próximo ao moinho.
Quando chegou lá, a besta estava fazendo algo cautelosamente e Charles se aproximou. O bicho estava cheirando a sua mochila. Ele entendeu que era hora de correr para algum lugar seguro, próximo, pois a velocidade do animal evitava qualquer fuga sem veículos.
Charles correu direto para o moinho, trancou a porta e se esquivou silenciosamente. Foi verificar a janela.
A estranha figura o encarava, fazendo um barulho semelhante a um ronco rouco e abafado. Eles se encararam por quase um minuto, até que a criatura espirrou furiosamente exalando um ar quente que embaçou o vidro. Ela abriu a boca e arregalou levemente os olhos indicando um ataque.
Charles, rapidamente, se abaixou, enquanto o grande animal corpulento estilhaçou a janela e a madeira em volta, fazendo cacos voarem em todas as direções inclusive em Charles. Com o braço ferido, Charles começa a subir o lance de escadas ligeiramente e a besta tinha mais dificuldade devido às patas gigantes.
O homem, ao chegar no último andar, abriu a janela e subiu na viga que sustentava as pás do moinho. Um animal que não demorou muito a encontrá-lo, subiu na viga e se aproximou vagarosamente, sabendo que sua presa não teria escapatória. O último plano de Charles, que mais parecia suicídio, foi colocado em prática.

Ele se segurou na pá imóvel, esperando o bote. Quando o animal se preparou, Charles se escondeu atrás da pá.
O animal pulou agressivamente em direção à vítima.
A pá protegeu Charles da patada, mas não da queda de quase oito metros. Sua sorte, porém, foi que o monstro caiu de pescoço, causando- lhe uma morte quase instantânea.
Charles, dias depois, acordou engessado e remendado no hospital. Ao ter alta, a polícia o prendeu, quando foi descoberto como criador do híbrido mortal, usando a genética e a seleção artificial. Como era de se esperar, ele não saiu impune e foi condenado à prisão perpétua.

Por: Murilo Ferreira