Por: Matheus Delanhesi Pereira – PV

Vista de perto, pinceladas sobrepostas. Relevos de tintas. Borrões perceptíveis. Vista de longe, o reflexo do sol que toca um possível mar. A tela “Impressão: Nascer do Sol”, do pintor Monet, mimetiza novas perspectivas, as quais podem fazer os indivíduos enxergar uma nova realidade. Analogicamente, o passado, se observado à distância, como na obra impressionista, pode transmitir formas, sentido e ensinamentos que colaboram com a não repetição de erros cometidos. Dessa maneira, até quando o homem vai preferir enxergar somente os “borrões” do presente e esquecer as instruções históricas?

Em primeira análise, o passado não consiste apensas em datas, fatos ou revoluções. Há de se considerar também, os impactos gerais dos acontecimentos. Um exemplo disso é o Darwinismo Social que ainda se mantém intrínseco à realidade do Brasil. Isso, consoante o sociólogo Durkheim, acontece pela “coerção da coletividade”, a qual obriga o negro não só clarear a pele, mediante a miscigenação, bem como impõe um “embranquecimento” cultural. Diante disso, é necessário observar essa situação de longe, como no quadro de Monet, pois com uma maior amplitude é possível compreender as mazelas que ainda existem nos dias atuais.

Em segundo plano, é indubitável que os fatos históricos auxiliam as tomadas de decisões que atenuam os impasses do presente. Prova disso é a lei brasileira de anti-racismo, a qual, por intermédio de experiências anteriores de preconceito, criminaliza toda ação prejudicial aos afrodescendentes. Nesse sentido, é notável que o ser humano está caminhando para livrar-se das correntes da “Alegoria da Caverna” de Platão, atingindo um novo patamar de conhecimento, a busca pela verdade dos fatos. Dessa forma, a pintura vanguardista faz um paralelo entre passado e presente, sendo o primeiro a perspectiva das formas (soluções) e o último a perspectiva dos “borrões” (problemas).

Portanto, é possível notar que o passado ajuda a compreender as pinceladas sobrepostas, as quais, a princípio, são somente borrões, isto é, auxilia a entender as mazelas que ainda persistem no presente. Ademais, os acontecimentos históricos cooperam com diversas tomadas de decisões no mundo moderno.